Este blogue passou, a partir deste momento - 3 2 1 -, a uma fase moribunda. E não tarda faço-lhe um funeral. Condigno pois claro, já que esta casa sobreviveu durante quase três anos. Quem sabe não ressuscita. Não ao sétimo dia (número sete é que não), mas um dia que seja dia.
Agora vou por outros caminhos e três ou quatro amantes seguem-me os passos – ofereço estágio não remunerado em escrita publicitária e coisas da vida criativa. Não sou uma chefe autoritária e faço chá, encomendas em Photoshop, fotografias a rodos, frases anotadas em Moleskine, críticas de moda, cortes de cabelo, desenhos em aguarela e Boca-Doce com bolacha Maria para quem queira. Sejam bem-vindos.).
Por agora, estou temporariamente de olhos fechados.
Na plateia da Aula Magna alguém gritou “Sr.Zé”. Ele sorriu. Não há palavras para descrever o que é ver e ouvir o “Sr.Zé”. Tenho pr’a mim, que a música dele respira silêncio.
“Vais ao Bairro, cortas o cabelo no Facto. Desces à baixa e vês gente. Arranja um café, fumas um cigarro e comes um gelado dos bons, daqueles com colherzinha. No fim, vais pr’a casa e vês um filme estúpido. Com ele adormeces e amanhã: olá!”
Em conversas sobre fotografia, um antigo professor da USC - Vitor Vaqueiro - fala-me do acordo ortográfico. A dúvida é transcrita aqui, na fé de que ele não se importará. Agora fiquei a pensar.
“Como se está a viver em Portugal a possibilidade de unificação normativa luso-afro-brasileira? As minhas noticias são pela imprensa galega e, então, limitadas e interesseiras e tentando dar ideia, en Portugal, de grande confusão, ja que, como sabes, no interior do movemento galeguista-nacionalista-independentista de esquerdas, o galego é partidário da unificação lingüística galego-portuguesa, ao considerar que galego e portugués são duas manifestações orais da mesma língua, como demonstra esta carta, que está escrita en galego só que com grafia portuguesa.”
Deles conhecia pouco, só duas ou três músicas por aí. E um camarote mal amanhado obrigou-me a ir para a bancada. Escolha feliz pela visão ampla sobre um palco que se tornou pequeno para a presença de Tom Smith.
A sua voz e atitude não se explicam. Ele carrega drama, profundidade e muitos fantasmas dos Joy Divison.
Este menino prendeu-me. E com uma versão-tipo-serenata de “Push Your Head Towards the Air”, o Campo Pequeno silenciou e assemelhou-se a um quarto escuro.